ENÉAS FERREIRA CARNEIRO
Enéas Ferreira Carneiro nasceu na cidade de Rio Branco, no estado Acre, em 1938. Perdeu o pai aos nove anos de idade, sendo obrigado a trabalhar desde essa idade para sustentar a si e à sua mãe.
Em 1958 iniciou seus estudos no Rio de Janeiro, na Escola de
Saúde do Exército. Em 1959 formou-se terceiro-sargento auxiliar de
anestesiologia, sendo primeiro lugar de sua turma.
Em 1960 iniciou seus estudos na Escola de Medicina e
Cirurgia do Rio de Janeiro.
Em fevereiro de 1962 prestou exame vestibular para a
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da
Guanabara, curso de licenciatura em Matemática e Física. Aprovado em primeiro
lugar. No mesmo ano iniciou atividade como professor destas disciplinas,
preparando alunos para vestibulares.
Em 1965 formou-se médico pela já citada Escola de Medicina e
Cirurgia do Rio de Janeiro, pedindo então baixa do Exército, após 8 anos de
serviço ativo no Hospital Central do Exército, onde realizou mais de 5.000
anestesias, já tendo recebido a medalha Marechal Hermes.
Em 1968 diplomou-se licenciado em Matemática e Física pela
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da
Guanabara e fundou o Curso Gradiente, pré-universitário, do qual foi
diretor-presidente e onde lecionou Matemática, Física, Química, Biologia e
Português.
Em 1969 fez o curso de especialização em Cardiologia na 6ª
Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e, a partir daí, foi
integrado como assistente naquele Serviço de Cardiologia.
De 1973 a 1975 fez o Mestrado em Cardiologia na Universidade
Federal do Rio de Janeiro. Nesse período ministrou também aulas de Fisiologia e
Semiologia Cardiovascular na mesma universidade. Em 1975 apresentou a primeira
versão de seu famoso curso O Eletrocardiograma, no Rio de Janeiro, mais tarde
ministrado em São Paulo (1983), Quito - Equador (1985) e novamente no Rio de
Janeiro (1986), dessa vez como curso nacional, ocorrido no Copacabana
Palace.
Em 1976 defendeu sua dissertação de Mestrado,
"Alentecimento da Condução AV", e recebeu o título de Mestre em
Cardiologia pela UFRJ. Ainda em 1976 escreveu o livro O Eletrocardiograma,
referência no gênero. Publicado em 1977 e reeditado em 1987 como O Eletrocardiograma:
10 anos depois, essa obra é conhecida no meio médico como a "bíblia do
Enéas".
A produção acadêmica de Enéas não se restringe à Medicina:
ele é autor de artigos em diversas outras áreas, como Filosofia, Lógica e
Robótica.
Carreira política
Enéas fundou, em 1989, o PRONA, lançando-se imediatamente
candidato à Presidência nas primeiras eleições diretas do Brasil, após o
período da Ditadura Militar. O seu tempo na propaganda eleitoral gratuita era
de dezessete segundos. Todavia, sua aparência exótica (um homem pequeno, calvo,
com enorme barba cerrada e grandes óculos), aliada a uma fala rápida e a um
discurso inflamado e ultranacionalista (terminado sempre por seu bordão:
"Meu nome é Enéas"), fez com que o então desconhecido político
angariasse mais de 360 mil votos, colocando-o em 12º lugar entre 21
candidatos. A propaganda vinha sempre acompanhada pela Sinfonia n.º 5 de Ludwig
van Beethoven.
Percebendo a penetração de sua imagem junto ao eleitorado,
Enéas voltou a se candidatar em 1994, dispondo então de um minuto e 17 segundos
no horário eleitoral. Mesmo sendo o PRONA um partido ainda sem expressão, o
resultado surpreendeu os especialistas em política. Enéas foi o terceiro mais
votado, posicionando-se à frente de políticos consagrados, como o então
governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola e o ex-governador de São Paulo
Orestes Quércia, ficando atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso e Luiz
Inácio Lula da Silva. com mais de 4,6 milhões de votos (7%).
Em 1998, com um minuto e quarenta segundos disponíveis no
horário eleitoral, Enéas expôs seu discurso em que defendeu questões polêmicas
como a construção da bomba atômica, a ampliação do efetivo militar e a
nacionalização dos recursos minerais do subsolo brasileiro. Nas eleições
presidenciais daquele ano, foi o quarto colocado, com um total de 1.447.090
votos.
Em 2000 candidatou-se à prefeitura de São Paulo, obtendo 3%
dos votos, e conseguiu reunir votos para a eleição de sua candidata a
vereadora Havanir Nimtz. Em 2002 candidatou-se a deputado federal por São
Paulo, obtendo a maior votação da história brasileira para aquele cargo: cerca
de 1,5 milhão de votos, recorde que permanece imbatido. Seu partido
obteve votos suficientes para, através do sistema proporcional, eleger mais
cinco deputados federais (mesmo com votações inexpressivas, abaixo dos mil
votos). Este episódio ficou marcado pela polêmica de que alguns destes
candidatos teriam mudado de colégio eleitoral de forma ilegal apenas para serem
eleitos pelo princípio da proporcionalidade, confiando nos votos conferidos ao
partido através de Enéas. Enéas também participou ativamente das eleições para
prefeitos e vereadores em 2004, ajudando a eleger vereadores em várias capitais,
como Rio e São Paulo, e prefeitos em pequenas cidades.
Enéas Carneiro apresentava-se como um político nacionalista
e radicalmente contrário ao aborto e à união civil de pessoas do mesmo sexo. Alguns críticos o associavam como um novo ícone do Movimento Integralista.
Analistas enxergam Enéas como um fruto da democracia moderna, alegando que sua
imagem excêntrica e seu bordão ("Meu nome é Enéas") se sobrepõem ao
seu discurso hermético e intelectualizado frente às classes mais pobres da sociedade
brasileira.
No início de 2006, Enéas passou por sérios problemas de
saúde, uma pneumonia e uma leucemia mielóide aguda, fazendo com que ele optasse
por retirar sua folclórica barba, antes que a quimioterapia o fizesse. Ainda em
função de seus problemas de saúde, em junho de 2006 Enéas anunciou que
desistiria de sua candidatura à Presidência da República e que concorreria
novamente à Câmara de Deputados. Na nova campanha, mudou seu bordão para
"Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas". Foi reeleito com a quarta
maior votação no estado de São Paulo, atingindo 386 905 votos, cerca de 1,90%
dos votos válidos no estado.
Após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2006,
seu partido, o PRONA, se funde com o PL e então é fundado um novo partido, o
Partido da República.
Morte
No dia 6 de maio de 2007, aos 68 anos, Enéas Carneiro
faleceu em sua casa, vitimado pela leucemia mielóide aguda, após ter desistido
do tratamento quimioterápico e abandonado o hospital onde era tratado, o
Hospital Samaritano, por acreditar que seu tratamento não mais surtiria efeito.
Seu corpo foi velado na manhã do dia 7 de maio no Memorial do Carmo (que fica
no Cemitério São Francisco Xavier), e cremado, na tarde do mesmo dia, no
crematório da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. O último pedido de
Enéas foi que sua família jogasse suas cinzas na Baía de Guanabara. Sua suplente
na Câmara foi Luciana Castro de Almeida (PR, candidata pelo PRONA), que
conseguira apenas 3.980 votos na eleição de 2006.
